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Como primeira soundscape desse blog, resolvi escolher um álbum que não sai da minha playlist há algum tempo. Seja pelo instrumental bem gravado e executado, bela voz doce e gostosa de Dani Gurgel, filha da pianista Débora Gurgel (Triálogo, DICA), ou pelo extremo bom gosto nos arranjos e letras do álbum, o primeiro “álbum” (entre aspas porque é um compacto) de Dani Gurgel, que tem distribuição livre em seu site mesmo (www.danigurgel.com.br), no Um Que Tenha (http://umquetenha.blogspot.com) ou no final desse post, já chama atenção.

Com as próprias palavras da cantora e fotógrafa (ou pelo menos as palavras que se encontram em seu site):
“Desenvolvendo um trabalho em que canta músicas de autoria própria e de novos compositores da música popular brasileira, Dani Gurgel vem realizando uma série de shows em São Paulo. Em 2007, encabeçou um projeto em que, a cada semana, um compositor diferente era convidado para participar do espetáculo, cujo repertório era composto, em maioria, por suas canções. A condição para esses ditos ‘novos’ compositores era que tivessem no máximo um único disco gravado.
Também compositora (e nova), Dani assina algumas das canções, em parceria com Debora Gurgel, que compõem o projeto Da Pá Virada, finalista do Projeto Nascente 2007. A intersecção dos dois projetos culminará no primeiro disco de Dani Gurgel, sendo gravado em 2008.
Dani acaba de gravar um ‘compacto’, com quatro músicas (uma sua e três de novos compositores), como uma amostra do disco, que pode ser ouvido e baixado na íntegra em seu site.”

O álbum “Compacto” começa com o ótimo “samba-pra-frente” Mares de Lá. A música começa com um vocalize que tem um clima meio de música infantil que já cai por terra com a entrada “jazzy” do instrumental assim que a letra começa. Muitas pinceladas aqui e ali executadas por todos, colocando a ênfase maior da música na letra e melodia da voz, que a essa altura (logo uns 30 segundos de música) já deixa uma impressão bem diferente do que a pequena notável tem por mostrar. Exibindo um domínio rítmico e melódico muito bom, deixando cada nota muito clara tanto em afinação quanto em tempo, e com uma letra primorosa de Vinícius Calderoni, que assina algumas das composições do disco, a música logo migra para um samba-jazz gostoso, com um gigante crescendo para uma “segunda parte” cheia de convenções, voltando logo em seguida para o clima jazzy do começo da música, cheio de pinceladas, e logo em seguida partindo para o ponto alto da música, onde a clave de samba fica mais evidente e a música chega no ponto alto naquela “samba-pra-frente” que citei no começo do parágrafo. Final da música com muitas frases, um improviso de fundo de Débora Gurgel e a volta do vocalize do começo da música, já num clima muito diferente, que deixa de ser infantil pra casar perfeitamente com todo o resto e coroar a música como a melhor do disco.

O disco segue com “Tergiversar”, também de Vinícius Calderoni, uma balada com clima latino e com refrão meio bossa-nova. Composicionalmente achei essa a melhor das músicas, apesar de ser obrigado a eleger “Mares de Lá” como a melhor do disco pela minha queda por sambas-pra-frente como é aquele. Com exceção da parte dos improvisos de congas e piano (aproximadamente aos 2 minutos), o resto da música lembra muito a forma de compor de Chico Pinheiro. Destaques para o final da música, com backing vocals gravados pela própria Dani (creio eu), que dão um toque especial para o final da música, para a dobra de piano e voz logo no começo e para a interpretação de Débora Gurgel, com uma belíssima condução virtuosística e com um improviso que, apesar de pequeno, ser digno de nota por ser totalmente condizente com a música, fugindo do padrão delirante de improvisos e mostrando uma identidade musical muito bem resolvida por parte dela.

O álbum continua rodando e eis que nos deparamos com a boa balada/bossa/baião “A Autora das Coisas”, que conta com vários efeitos de percussão, imitando chuva, por exemplo. Na minha opinião, é provavelmente a letra mais bonita do disco, assinada por Tó Brandileone, Leo Bianchini e Vinícius Calderoni. O grande destaque da música fica por conta da interpretação da letra, que a Dani conseguiu deixar com o clima leve que todo o resto pede. Não são muitos cantores que conseguem mudar nuances da música com detalhes pequenos como esses que vemos nesse disco.

A quarta e última música é a mais virtuosística do álbum. Todos os músicos não tiveram medo de colocarem muitas notas e acertaram a mão. Não consigo definir um estilo exato para a música, que tem várias passagens, incluindo um bom solo de André Henrique, apesar do timbre ter ficado exagerado para um solo de baixo, nas conduções não se nota isso e o timbre é agradável, porém ao instrumentista se colocar como solista, a equalização se mostra equivocada e poderia ter soado melhor, apesar de não ser algo que chegue a incomodar. O improviso de baixo é seguido por um floreio muito bom de Débora Gurgel, que não parece ter nenhum ponto baixo nesse disco. Outro destaque desta faixa é o baterista Thiago Rabello, que se mostra extremamente competente. A bem-humorada letra é assinada por Dani Gurgel e sua mãe Débora Gurgel.

A batida do martelo:

O disco é um dos que se encaixa no VALE ESCUTAR com louvor. Existem alguns pontos baixos onde o álbum se torna meio repetitivo quanto à forma de algumas músicas, porém isso não chega a ser algo que desabone o álbum, que é muito bom e tem um clima bem pra frente, mesmo nas baladas. Apesar de ser o primeiro álbum de Dani Gurgel, creio eu que poderemos esperar muitas álbuns e músicas primorosas dessa cantora mais á frente. Os destaques que valem para o disco inteiro ficam por conta de Débora Gurgel, que se mostra inteiramente confortável e com um bom gosto de dar inveja, e Dani Gurgel, que mostra que, apesar de ter uma carreira que começou há não muito tempo, existe música boa sendo feita, com muito bom gosto e qualidade. Não meço palavras ao enfatizar a minha crença de que ela se tornará em algum tempo uma das grandes cantoras (talvez não no sentido fama, apesar das músicas soarem bem populares aos ouvidos, mas no sentido voz) da música brasileira.

Desta forma fecho esse primeiro post de verdade. Abaixo seguem os links para o site e o MySpace dela, onde ainda dá pra ouvir outras duas músicas, “Dá Pá Virada” e “Clara da Lua”, que são de composição de Débora Gurgel e receberam letra da Dani, além do link para download do álbum, que já vem com capa, contra-capa e tudo o mais devidamente autorizados pela Dani.

MySpace: http://www.myspace.com/danigurgel

Site: www.danigurgel.com.br

Download do álbum (link do Um Que Tenha):

Como usar o protetor de links Lix.In:
Se pedir que se digite uma senha, faça assim:
- respeite os caracteres maiúsculos
- clique no botão “continue” em vez de apertar a tecla “enter”
Se você não respeitar essas regras, o pedido de senha se repete continuamente.

Como usar a senha do Rapidshare:
Ao baixar o arquivo, quando o Rapidshare pedir a inclusão da senha, escolha SOMENTE as quatro letras que tiverem um GATO sobre elas (as figuras são diferentes, há cães e gatos, reparem bem).

Download do álbum

One Response to “Dani Gurgel – Compacto”

  1. Nay Says:

    “bela voz doce e gostosa…” Hum… fiquei curiosa agora. Fuçarei sobre, obrigada pela dica.
    Finalmente um blog seu que eu posso botar o link bem público lá no meu. O outro é tão super secreto (assim espero que seja, afinal, demorei pra conseguir te arrancar a URL dele) que não dá, né? É.
    Só sei que gostei muito da idéia de um blog de resenhas sobre música. Eu muito que vou montar uma banda e te subornar pra falar bem dela por aqui. Saudade. Beijo.


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